a taça do mundo é nossa, 2018
réplica da taça Jules Rimet fundida em latão e cartuchos de munições utilizadas pela Forças Armadas Brasileiras sobre base de compensado naval
130 x 30 x 30 cm
fotos Filipe Berndt

A Taça do Mundo é Nossa é uma escultura feita a partir de uma réplica da taça Jules Rimet, usando restos derretidos de cartuchos de munição coletados em áreas de conflito armado no Brasil; especialmente cartuchos usados pelas forças militares. A escolha por fazer uma réplica precisa da taça Jules Rimet parte de dois eixos conceituais principais: o primeiro eixo conceitual foca sua atenção para a utilização do futebol como instrumento de propaganda dos regimes militares, que dominaram a América do Sul durante os anos 1960 e 1980. Período esse que ficou marcado por conta da “Operação Condor”, que promovia a interação entre os serviços de inteligência e repressão das ditaduras de Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Por isso, na base da taça encontra-se, gravado, o nome destes 4 países, e os respectivos períodos de duração das ditaduras. O segundo eixo conceitual é baseado na história da própria taça. Marcada por roubos, a taça original desapareceu no Brasil em 1983. Depois de vencer a Copa do Mundo em 1970, e ficar em definitivo com a taça Jules Rimet, o Brasil começou a mostrá- la publicamente. Em 1983 a taça desapareceu e, para surpresa de todos, foi derretida. Anos depois, a FIFA deu ao Brasil uma réplica da taça; então a taça em exibição na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), nada mais é do que uma réplica.

As escolhas visuais e conceituais que nortearam A Taça do Mundo é Nossa, partiram da necessidade de aprofundamento das minhas pesquisas sobre o contexto político brasileiro, e sul americano, nas décadas de 1960 a 1980, estudando fatos históricos decorrentes do golpe militar no Brasil. Além disso, A Taça do Mundo é Nossa pretende mostrar como a naturalização da violência no Brasil está presente na maioria das experiências de espaço público nas cidades brasileiras.