americae novissima desciptio, 2016
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
57 x 76 cm
foto Filipe Berndt




américa invasión etnocídio invención, 2016
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
158 x 158 cm
foto Filipe Berndt




hyspanus, 2016
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
57 x 78 cm
foto Filipe Berndt




mercadores, 2016
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
57 x 76 cm
foto Filipe Berndt




60 dias, 2015
desenho das rotas de tráfico negreiro feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) sobre algodão preto
50 x 110 cm
foto Galeria Leme




êxodo, 2015
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
70 x 76 cm
foto Jaime Lauriano




república (democracia racial), 2015
desenho do mapa do Brasil e trecho do Hino da Independencia feito com lápis dermatográfico e pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) sobre algodão preto
145 x 180 cm




aculturação, 2015
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
110 x 105 cm
foto Galeria Leme

As navegações portuguesas e espanholas, em busca do novo mundo, instauraram um novo período histórico mundial – definido posteriormente como modernidade. Com descoberta de novos territórios, as navegações reorientaram o mundo, migrando a periferia – que antes pertencia a própria Europa – para os novos territórios recém invadidos. Com isso, uma nova ordem mundial foi instaurada e para tanto novos mapas fizeram-se necessários. A partir de então, forçosamente, passou-se a aceitar a Europa como sendo o centro do mundo e o norte como a orientação superior do mundo.

Este processo de violação de novas terras só foi permitido por decorrência de diversos acordos e tratados que dividiram os territórios do “novo mundo” entre Portugal e Espanha. Revistos e ampliados, estes tratados deram origem as primeiras representações do continente Americano.

Em Aculturação observamos o mapa do continente Americano, com a sua configuração atual (2015), desenhando sobre um tecido negro. No lugar da escala do mapa encontramos as datas das dezenas de tratados, firmados entre os países europeus, que definiram as divisões de território, que tem como caraterística de unidade a violação de seus povos e terras, que aculturados pelos processos de colonização tiveram que encontrar formas de resistência, e recriação de seus costumes.




O QUE NOS UNE NOS SEPARA – LO QUE NOS UNE NOS SEPARA, 2015
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
110 x 50 cm
foto Galeria Leme

A América do Sul foi “inventada” com seu território delimitado. As invasões portuguesas e espanholas, e o futuro processo de colonização foram organizados como uma sociedade comercial oriunda da aliança entre a burguesia mercantil e a nobreza. Em O QUE NOS UNE NOS SEPARA – LO QUE NOS UNE NOS SEPARA observamos a última configuração (2015) do mapa da América do Sul, e no lugar de sua escala encontra-se a data dos 2 principais tratados – Tratado de Tordesilhas e Tratado de Madri – que configuraram a divisão da colonização do continente, e posteriormente a sua divisão cultural e geográfica.

Todo o processo de colonização (e libertação) do “novo mundo”, instaurou, nas novas terras, a noção de continente, e consequentemente de pertencimento a uma nova geografia. Porém, toda a unidade trazida por esta imposição não ocasionou a união destas novas nações, pelo contrário as diferenças culturais implantadas em cada novo país proporcionou o afastamento exponencial de todos.

Vendeu-se a falsa ilusão de união e levou-se para casa um afastamento abissal. Por isso, o título do trabalho O QUE NOS UNE NOS SEPARA – LO QUE NOS UNE NOS SEPARA está gravado no próprio mapa, como uma inscrição de leitura desta cartografia.