ao norte do rio, 2018
instalação (vigas de madeira, tela de sombreamento, ladrilho hidráulico com padrão do calçamento de São Paulo, pedras portuguesas, tijolo colonial e réplica do marco zero da cidade de São Paulo fundido a partir de de diferentes metais, como o latão e restos de cartuchos de munições recolhidos em áreas de conflitos armados no Brasil)
7 x 3 x 7,15 m
fotos Filipe Berndt

concepção Jaime Lauriano
projeto expográfico Clarice Cunha
produção Sol Casal
produção técnica, construção e montagem Elastica SP Cenografia

Ao norte do Rio é uma intervenção construída para refletir como as noções de fronteira, centro e periferia são moldadas a partir dos interesses das oligarquias que estão no controle das cidades. Na cidade de São Paulo, as margens dos rios Pinheiros e Tietê, são comumente utilizadas como “fronteiras” para diversos abusos e descasos do poder público da cidade; para controlar corpos; e ao mesmo tempo limitar acessos a determinadas regiões da cidade.

Por isso, tomei como ponto de partida para a construção de Ao norte do Rio dois acontecimentos na história do urbanismo de São Paulo. O primeiro, a instauração do atual “Marco Zero” da cidade que integrou um projeto de remodelação do centro da capital Paulista. Outro acontecimento, que me serviu como base para pensar o desenho da intervenção, ficou conhecido como “Plano de Avenidas”, pois derivou do estudo do engenheiro Francisco Prestes Maia, que previa outra grande remodelação do sistema de mobilidade de São Paulo, utilizando um plano radioconcêntrico que se expandia desde o centro da cidade até as chamadas “periferias”. Estes dois acontecimentos não se preocupavam com o desenvolvimento dos chamados bairros “periféricos”.

Partindo do esquema teórico contido no “Plano de Avenidas”, foi construída uma estrutura imersiva para o publico percorrer diferentes tipos de pavimentos característicos da arquitetura colonial e modernista de São Paulo. No centro da intervenção foi colocada uma réplica da placa de bronze do atual “Marco Zero” feita a partir da fundição de diferentes metais, como o latão e restos de cartuchos de munições recolhidos em áreas de conflitos armados no Brasil, em especial os cartuchos utilizados nos “operativos” das forças armadas e das policias militares nos bairros “periféricos” brasileiros.