gargantilhas, 2016
7 cubos de resina (contendo madeiras de lei, ouro, cana-de-açúcar, café, mandioca, borracha e tecidos), correntes de aço, alfinetes, lápis dermatográfico e carvão vegetal sobre algodão cru
80 x 100 cm
foto Galeria Leme

Trabalhos escravos não se restringiram somente ao período colonial. Mantido pela perpetuação da exclusão, a atualização deste sistema de trabalho continua presente na sociedade contemporânea. Seja na exploração de minérios no continente Africano, seja na indústria fashion e seus ateliês de costura em países asiáticos, ou até mesmo no sistema prisional estados-unidense e a sua exploração da mão de obra de internos. Em ambas as situações instaurasse uma politica do medo e da insegurança – seja ela financeira no caso das explorações nos continentes Africano e Asiático, seja ela criminal no caso do sistema prisional estados-unidense – para justificar a continuidade de tais praticas.

Em “Gargantilhas”, são apresentados 7 ciclos de escravidão brasileiros. Transformados em jóias, estes ciclos são expostos em um display, comumente, utilizado por imigrantes para comercializar produtos “falsificados”. Oriundos de uma subversão dos produtos fabricados por grandes marcas que utilizam o sistema escravocrata contemporâneo, estas vendas garantem a sobrevivência, em outro país, destes imigrantes que muitas vezes são expulsos de seus países por conta da instabilidade criada por essas mesmas marcas.