Americae nova tabula: invenção, epistemicídio, contrato racial e genocídio, 2019
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
150 x 200 cm
foto Filipe Berndt

A série de trabalhos “invenção, epistemicídio, contrato racial e genocídio” recria, a partir das ilustrações de mapas e cartas náuticas, uma das cenas mais emblemáticas da história recente da humanidade – as navegações e o “descobrimento do novo mundo”. Entretanto, diferentemente de sua versão original, com cores prontas para retratar a exuberância da região recém explorada, opera um rebaixamento visual, pautado pelo preto sobre branco. Trata-se, por tanto, de uma releitura dos primeiros esforços de representação do sistema de colonização, e sua exploração da madeira e da mão de obra indígena, o primeiro proletariado do que mais tarde seria consolidado como um “país”. As fitas autoadesivas, comumente utilizadas para prender pessoas durante os linchamentos, são utilizadas para construir um retângulo dourado que reforça a exploração do solo, e dos corpos, pela mercantilização colonial, que extraiu do solo do chamado “Novo Mundo” a subsistência colonial.

Nestas cartas, a presença da população nativa é assinalada por meio de figuras humanas em situação de nudez dispersas do litoral até a parte central do continente. Nestes desenhos, encontram-se homens caçando com arco e flecha, cortando árvores e em contato com a fauna. Em uma alegoria de trabalho e ócio. A harmonia encontrada, e exaltada, nos originais é perturbada pela inscrição dos termos invenção, epistemicídio, contrato racial e genocídio retirados de livros que pautam a construção da História das Américas. Tal operação reforça a violência presente nas ilustrações, e na “Invenção do continente Americano”.



Americae orbis: invenção, epistemicídio, contrato racial e genocídio, 2019
desenho feito com pemba branca (giz utilizado em rituais de Umbanda) e lápis dermatográfico sobre algodão preto
130 x 200 cm
foto Filipe Berndt