justiça e barbárie, 2017
vídeo
2'31 "

direção Jaime Lauriano
trilha sonora original Pedro Santiago
montagem Cesar Gananian

Textos e imagens de pessoas, em sua maioria homens negros, amarradas em postes públicos povoam as manchetes dos principais jornais brasileiros. Em suas versões digitais, tais noticias ganham repercussão nos comentários deixados pelos leitores que, excitados com tais acontecimentos, elevam os “justiceiros” à heróis nacionais.

Nas décadas de 1910 e 1920, nos Estados Unidos da América, eram comuns fotografias mostrando corpos de afro-americanos enforcados por uma população branca. Exibidos como troféus, estes corpos configuravam verdadeiros monumentos que exaltavam a supremacia branca. Não obstante, eram exibidos em cartões postais com a naturalidade de uma paisagem digna de ser exaltada. No Brasil, casos como estes não eram comumente publicizados, pois durante este período a imagem que se pretendia construir do país, era a de uma sociedade mestiça que vivenciava a plenitude de uma democracia racial.

Separados temporalmente por mais de 100 anos, e após diversas revoltas e manifestações, as duas situações mostram como a violência contemporânea aos corpos afro-americanos está diretamente ligada com as práticas de violência colonial: linchamentos públicos, aprisionamento em postes e praças públicas, etc.

Tais praticas podem ser encontradas, também, nas sessões de tortura durante a ditadura civil-militar brasileira. Algumas dessas sessões contavam com uma plateia de pessoas oriundas dos mais diversos setores da sociedade civil, que através da compra de um ticket, assistiam a sessões de estupro, choques, pauladas e outros diversos tipos de atentados contra os direitos humanos perpetrados pelos agentes da ditadura civil-militar brasileira.

Em Justiça e Barbárie são apresentadas imagens de linchamentos ocorridos no Brasil. Junto as imagens, são acrescentados diálogos retirados de comentários de leitores dos maiores jornais digitais brasileiros. Em comum, imagens e comentários naturalizam a violência perpetradas pela sociedade civil, transformando assassinos em justiceiros. Tal pratica atualiza, de forma perversa, o passado colonial e ditatorial brasileiro