liberdade! liberdade!, 2018
serigrafia e trecho do hino da república gravado a laser e pirografia sobre compensado naval
80 x 60 x 1,5 cm
foto Daniel Cabrel

Nesta obra Jaime Lauriano reproduz parte do desenho do livro “The Penitential Tyrant; or, slave trader reformed”, escrito por Thomas Branagan, um ex-capitão do mato convertido em abolicionista, publicado em 1807 nos EUA. No livro, os “ganchos”, instrumentos de sevicia aplicados nos pescoços por senhores brancos contra escravizados e escravizadas fugidos, vêm acompanhados de um texto descritivo do funcionamento de cada objeto. Aqui, em tom critico e com leve ironia, Lauriano substitui o original por dois trechos do hino da República do Brasil. A composição havia ganhado o concurso lançado pelo governo do Marechal Deodoro da Fonseca, dois meses após o golpe de 1889, que derrubou a Monarquia. Mas acabou sendo preterida pela anterior, e virando apenas nosso “Hino da República”. A letra afirma, passado apenas um ano e meio da abolição da escravidão, não acreditar que em “tão nobre país” tenha havido escravos outrora”. Ecoava, assim, a politica da Primeira República de apagamento das marcas da escravidão de nossa história, num discurso que buscava propagar uma imagem ordeira e pacifica do novo regime e jogar para o “passado” imperial toda a conta desse sistema forçado de trabalhos.