Jaime Lauriano – uma transição conceitual
po Leonardo Araujo

O suposto escritório construído pelo artista, chamado por ele de gabinete, transforma o que lhe é mais importante para produção de uma obra, para um trabalho de relações intimas de seus objetos de pesquisa, que se apoiam inteiramente em seus livros, vídeos e, principalmente, em seus colegas de trabalho. Amigos que quase sempre são ímpelidos por Lauriano a discutir e refletir novas idéias que podem modificar completamente a vertente de seu trabalho artístico, ou que possam alterar o rumo da produção artística contemporânea, como acontece nas rodas de debates de olhares, escutas e outras histórias.

Num momento de transição, Jaime Lauriano deixa de lado as tradições sobre as linguagens da arte, contorce os valores conceituais e estéticos de sua obra em si, afirmando a completude de uma exposição como espaço especifico para a produção critica e reflexiva da memória, ressaltando a importância de repensar a história, mesmo que esta seja a sua.
De qualquer forma, essa exposição individual não foi pensada obrigatoriamente abrigando trabalhos de arte de seu artista, ela é uma obra em si, ela é a transformação e maturação de um jovem artista, que mistura certezas e conflitos intelectuais, modificando as pesquisas durante o tempo de produção de seus objetos artísticos.