trabalho, 2017
objetos que retratam a naturalização da escravidão no Brasil (calendários, camisetas, cartões postais, cédulas de dinheiro, cesto de lixo, escultura, porcelana, tapeçarias e quebra-cabeça); gravação a laser da lista de profissões com maior incidência de pessoas negras no Brasil; depoimentos que relatam o racismo estrutural no Brasil
250 x 500 x 35 cm
foto Filipe Berndt

A ligação entre a sobrevivência naturalizante das imagens da escravidão e a manutenção da cultura racista são elementos fundamentais para a construção de “Trabalho”. Aqui, reproduções de imagens de pessoas trabalhando em situação de escravização, realizadas por artistas como Jean-Baptiste Debret, encontradas em objetos de uso cotidiano (camisetas, cartões postais, cédulas de dinheiro, porcelana, tapeçarias, etc) são contrapostas a trechos de depoimentos de casos de racismos estrutural no Brasil. Esses depoimentos relatam como pessoas negras são confundidas com funcionários de locais que eles frequentam (lojas, supermercados, restaurantes, etc). Comprados em lojas, sebos, mercados de pulga, feiras de antiguidade e casa de leilões, os objetos foram escolhidos, pois tencionou-se mostrar como a naturalização da imagem (não mais como documento histórico e sim como objeto de uso comum) de negros e negras trabalhando em situação de escravização, resultam, até o tempo presente, no racismo, na segregação e na exclusão de determinados tipos de corpos.